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Esportes O rebaixamento

Estanciano não conseguiu o milagre que o salvasse de um rebaixamento

Um rebaixamento que não se imaginava no inicio do ano, mas que foi a realidade do Canarinho do Piauitinga desde o começo do campeonato.

30/03/2023 às 17h11 Atualizada em 30/03/2023 às 17h15
Por: Redação Fonte: SergipeReporter
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Rebaixamentos raramente acontecem por um só motivo. É preciso que aconteça uma série de erros, que vários problemas se combinem. O time canarinho tinha vários.

Então! O que levou a queda do Estanciano para a segunda divisão?

O time iniciou o Campeonato Sergipano de Futebol da Série A-1 2023 com diversos problemas financeiros o que de fato impossibilitava da direção do clube fazer contratos de peso e foi obrigado a manter um time misto com atletas das categorias de base, alguns que restaram da divisão de acesso e poucos que foram contratados de outros estados.

O técnico Ronildo Batalha que levou o clube a elite do futebol sergipano em 2022 teve dificuldades de acertar o elenco, muitas avaliações foram realizadas e somente uma semana antes de estrear na competição foi definido o time que entraria em campo contra o Itabaiana, seu primeiro adversário de peso.

Muitos atletas chegaram ainda em dezembro do ano passado e não chegaram a comemorar o ano novo no clube porque foram dispensados. Nos treinos estava claro as mudanças drásticas no elenco para um período curto e atrasado na competição.

Não havia muita coisa a se fazer. Enquanto a diretoria batia em porta e porta buscando recursos no comércio local o elenco não conseguia um bom desempenho por conta até mesmo de simples logística.

O caos instalado no clube se alastrou dentro dos gramados e permaneceu por quatro jogos, quatro derrotas com Ronildo Batalha no comando técnico. O número 4 não foi um bom amigo do time canarinho. Começou enfrentando os quatro favoritos ao título, sofreu quatro derrotas, duas derrotas de quatro e foi parar no quarto da morte junto com América, Dorense e Freipaulistano.

A TEMPORADA

O primeiro jogo foi no Etelvino Mendonça, uma vitória magra do Itabaiana e um pênalti a favor do canarinho não marcado pela arbitragem. No segundo jogo o Estanciano recebeu em sua casa, no Francão, ‘o Sergipe’ outra pedreira. O time sofre sua segunda derrota consecutiva contra um time que estava entrosado, bem fisicamente e paralelamente disputando duas competições nacionais.

O placar de 1 a 0 para o Sergipe acendeu o alerta que já era hora do time canarinho acordar. Acordar que nada! Na terceira rodada o Estanciano fracassou e caiu de quatro diante do Lagarto em pleno estádio Francão. O time demonstrava não ser mesmo um concorrente para está dentro dos melhores no campeonato, uma derrota daquelas de doer até na alma do torcedor do canarinho do Piauitinga, 4 a 1 para os lagartenses.

Desta, o canarinho não deu tempo voar, pois foi comido pelo poderoso Lagarto de uma só boconhada. Da tímida arquibancada, um torcedor com o cartaz estendido dizia… “FORA BATALHA”, naquele momento a insatisfação do torcedor do Estanciano já chegava ao limite. Por outro lado, analisando bem, o problema não era técnico e sim de reforços que não chegava devido ainda a maldita situação financeira e as preocupações nos bastidores.

Em jogo polemico na Arena Batistão, em Aracaju, perdeu para o Confiança por 2 a 0 o que fez com quer a diretoria tomasse uma decisão. Sem recursos para contratar jogadores e um novo técnico para a substituição de Ronildo Batalha o clube indicou Batista Júnior, técnico que foi campeão da segunda divisão pelo Dorense em 2022.

Terminado os confrontos com os grandes do Sergipão ai veio os considerados times dos mesmos níveis, e ufa! Em fim a primeira vitória do time de Estância! mesmo assim apertada sobre o Atlético Gloriense por 1 a 0. Depois o canarinho foi até Nossa Senhora das Dores e decretou sua segunda vitória já na era Batista Júnior. Parecia que o time naquele momento iria emplacar uma série de vitórias, ‘apenas parecia’. No encontro contra o Falcon o time toma sua segunda goleada de 4 a 1, desta vez no Batistão, o time jogou muito mal com várias falhas na defesa, as laterais era poucas exploradas e a bola não chegava ao gol do Falcon. Na oitava rodada conseguiu um empate contra o América de Propriá de 1 a 1. “Anote esse nome porque vamos falar de números no quadrangular da morte”. Era uma chance de ouro que o canarinho deixou escapar em baixo de seu nariz. Voltou para Itabaiana, desta vez para enfrentar o Freipaulistano e novamente não teve êxito e para completar o pesadelo, no outro jogo que acontecia simultaneamente o Atlético Gloriense  ganhou do Itabaiana e saiu do Z-4 (Zona de Rebaixamento) direto para a zona de repescagem colando o time de Estância de vez no quadrangular da morte junto com Dorense, Freipaulistano e América de Propriá.

Batista Júnior sai do comando técnico

Naquela triste noite no Etelvino Mendonça, o Estanciano precisava apenas de uma vitória simples para se manter na primeira divisão mais o sonho foi por água abaixo, desceu a serra forçando a equipe canarinha a brigar pela permanência. Como dizia anteriormente o problema não era técnico e Batista Júnior também percebeu isso ao sofrer sua segunda derrota no comando do time. Alguns dizem que ele foi covarde, outros que foi o herói de duas partidas e que não queria levar a culpa de ser rebaixado. No dia seguinte a derrota para o Freipaulistano, Batista em comum acordo com a direção do clube pediu sua saída.

A ultima rodada da primeira fase terminava ali, com o Freipaulistano vencendo o Estanciano por 1 a 0.

Sem dinheiro para contratar outro técnico, o terceiro da temporada, não havia outro jeito a não ser o retorno de Ronildo Batalha, ele ainda estava no clube como gerente de futebol. Seu auxiliar técnico Diogo Ferreira era também um dos pretendidos a assumir mais não conseguiu.

E agora? A tensão, ansiedade de ter que disputar um quadrangular para sair do poço, das profundezas da série A-1.

RESUMÃO DA PRIMEIRA FASE

Na primeira fase o Estanciano teve 9 jogos, conseguiu apenas 7 pontos, e ficou na penúltima colocação, um degrau a frente do lanterna Dorense. Foram 02 vitórias, 01 empate e 06 derrotas, balançou as redes apenas cinco vezes e tomou 14 gols, sendo a segunda pior defesa da competição. A fase ruim do canarinho resultou em 9 gols de saldos negativos.

O RELÓGIO DO QUADRANGULAR DA MORTE

O tempo passa, os jogos passam, as vitórias vêm a conta-gotas e o sofrimento vem pulsante como o ponteiro dos segundos de um relógio. Aqueles ponteiros são traiçoeiros. Mas o tempo é implacável. O relógio não dá trégua, as rodadas continuam, os pontos seguem distantes, mas o pulso ainda pulsa.

Em 19 de março, o Estanciano tinha tudo para vencer o América de Propriá em casa, teve um excelente inicio de partida até que no finalzinho ainda do primeiro tempo, um pênalti a favor do adversário calou o Francão. Kal, atacante do América com muita paciência abriu o placar. Muitos acreditavam em uma reação do Estanciano de converter o jogo mais logo tomou o segundo gol e na arquibancada a sua torcida calava vendo seu 

time mais perto de ser rebaixado. O time não se encontrava em campo e num piscar de olhos o América fez o terceiro decretando uma vitória importante. Aquele jogo custou a vida do canário.

A luta agora contra a lógica. Às vezes acontece, mas o que se viu foi que o Estanciano melhorou em campo, mostrou mais futebol, mas parecia tarde demais.

O JOGO DA VOLTA

Estádio Miguel Gueiroz, Porto Real do Colégio/AL.

Em 25 de março na partida de volta em Porto Real do Colégio, já no Estado de Alagoas quase o Estanciano, fazendo a sua melhor partida de todas as fases do campeonato conseguiu uma vitória de 2 a 0 sobre o América, mais não o suficiente para impedir o rebaixamento do clube. Por alguns instantes dentro daquele quadrangular da morte o time crescia e avançava como uma avalanche mais não conseguiu chegar ao terceiro gol.

Os gols da partida foram marcados todos no segundo tempo: O primeiro de Júnior do Porto que recebeu bom passe e mandou um foguete para cima do goleiro Thiago que nada pode fazer. Já o segundo gol nasceu de um pênalti, Válber foi derrubado na área e o arbitro Claudionor marcou em cima do lance. Daniel (GTA) chamou a responsabilidade para ele e fez o segundo.

O clima ficou tenso do lado do América, naquele momento passava um filme na cabeça dos atletas, um possível rebaixamento dentro de casa com larga vantagem sobre o canarinho seria trágico. Por alguns instantes a torcida eufórica na arquibancada já brigava entre eles e percebiam um estanciano ofensivo, tentando vários chutes ao gol e por pouco não saiu com a vitória por 3 a 0, o que levaria a partida para os pênaltis e dai a chance de se manter na primeira divisão estava mais perto.

BRIGA NA TORCIDA E FIM DE JOGO

Após o jogo um grupo de torcedores do América brigaram entre eles. Uma baita confusão e um senhor foi agredido fisicamente na arquibancada. Cenas lamentáveis no futebol sergipano mostrada ao vivo pela IT TV. Pouca policia no Estádio que demorou chegar até o local da briga. A segurança privada no momento controlava os ânimos dos jogadores do Estanciano e comissão técnica que estavam descontentes com a atuação da arbitragem em campo.

O Tricolor da Ribeirinha fizeram o que já era previsto, segurar a partida como podia, desabando em campo, retardando as bolas que caiam na arquibancada forçando a arbitragem por vários momentos parar o jogo. Um time que teve medo do estanciano, que não mostrou o mesmo futebol do jogo de ida, caiu de produção, tentou a todo instante se defender de todas as maneiras. Medo de que mais alguns acréscimos o time canarinho chegasse ao empate.

No time canarinho ainda teve três expulsões, Luiz Henrique – preparador de goleiros, o atacante George e o técnico Ronildo Batalha.

Pois bem! O Estanciano que naquele momento representava todo Centro Sul sergipano mesmo vencendo por 2 a 0 caiu novamente para a segunda divisão e junto com ele o Freipaulistano. Foi só um passeio na primeira divisão e nada mais.

Pois é Canarinho, o bravo Estanciano que no gramado o amarelo encanta, o verde, o pendão da esperança não fez jus ao seu hino, porém o elenco, sua comissão e direção foram guerreiros e nunca desistiram, nunca se acovardaram diante de tantos problemas a se resolver.

“Salve o Estância do brilhante futebol. De histórias e de eternas alegrias”. Quando me lembro desta frase em meio ao hino do estanciano, recordo ‘SALVE’ se realmente os que dizem apaixonados pelo time tivesse contribuído ao invés de ficar nos quatro cantos da cidade criando mentiras, difamando e caluniando uma diretoria que assumiu o comando do clube após a morte do seu ex-presidente Sidney. Então, o atual presidente Araújo Júnior resistiu as fortes tempestades colocando o time de volta a primeira divisão. Claro que não é esse o Estanciano de nossos conterrâneos, não é o time que realmente foi escalado para ganhar o campeonato mais pelo menos se manter. O rebaixamento do clube não só afeta o time em si, mais o comércio local, os ambulantes, o esporte, turismo e a nossa população. O único time representante do Sul Sergipano que poderia alcançar outras competições nacionais, mais por questões pessoais, problemas que aqui já foram relatados o time não alcançou seu principal objetivo. Não é só o Estanciano que perde, a cidade perde junto.

O ACESSO

O time canarinho passou cinco anos na segunda divisão e foi ainda na era ‘Ronildo Batalha’ que a equipe retornou a elite do futebol sergipano após vencer em Porto da Folha o Guarany por 2 x 1 e chegou ao vice-campeonato.

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RECOMEÇO

Em 2024, o Canarinho vai em busca de um recomeço na segunda divisão, buscar novamente o acesso, quem sabe desta vez com recursos suficiente para tentar subir e garantir a permanência.

TEMPOS BONS

A última vez que o Estanciano conseguiu uma promoção para a elite do futebol sergipano foi há exatos 10 anos, justamente com o vice para o América de Propriá. Já na primeira divisão, terminou as edições de 2013 e 2014 no quarto lugar até que fez história em 2015.

Apesar de não conseguir ficar com o título estadual, o vice para o Confiança encheu de orgulho o torcedor canarinho. A campanha rendeu ao clube uma vaga em uma competição nacional pela primeira vez na história. E o Estanciano surpreendeu ao chegar nas oitavas de final da Série D, sendo eliminado pelo River-PI.

O ano de 2016 o Estanciano escreveu sua história nas importantes competições nacionais na Copa do Nordeste, Copa do Brasil e no Campeonato Brasileiro da Série D.

PRESTAÇÃO DE CONTAS

O contrato entre Prefeitura e Federação Sergipana de futebol não chegava aos acertos finais de prestação de contas, faltava ainda algumas pendencias da segunda divisão para que a Prefeitura repassasse o valor para a FSF e assim fosse entregue ao clube. Somente após o rebaixamento o repasse chegou, pelo menos dar pra pagar alguma coisa.

QUEM APITOU O ÚLTIMO JOGO

  • Árbitro-Central: Claudionor dos Santos Júnior – FSF
  • Assistente 1: Leonardo de Jesus Silva – CBF
  • Assistente 2: Amanda Santos Oliveira – CBF
  • Quarto Árbitro: Éder Marinheiro Souza – FSF

ESTANCIANO

TITÚLARES: 1-Diego, 2-Bruno Alves, 3-Renan, 4-Ítalo, 5-George, 6-Luiz Amado, 7-Toco, 8-Isaías, 9-Valdir, 10-Júnior do Porto e 11-Válber.

SUPLENTES: 33. Bahia William, 14. ELTON, 15. EZEQUIEL, 16. David, 18. Pirambu, 19. Daniel (GTA), 20. Ramon. 21. LUIZ Felipe.

AMÉRICA DE PROPRIÁ

TITÚLARES: 33-Thiago, 3-Guilherme, 4-Caio Oliveira, 5-Kal, 6-Pentecoste, 7-Anderson, 8-Celso, 9-Jonathan, 10-D. Horácio, 11-Daniel, 13-Glaudivan.

SUPLENTES: 12-Leoterio, 14-Rhuan, 15-Eduardo, 16-Sacramento, 18-Jean Brasilia, 19-Flávio, 20-Guilherme Matos, 21-Luan, 22-Matheus

ESTANCIANO ESPORTE CLUBE

O Estanciano Esporte Clube foi fundado dia 14 de junho de 1956 e suas cores são o verde e o amarelo. O apelido do clube é “Canarinho do Piauitinga”. Manda seus jogos no Estádio Governador Augusto Franco.

REGULAMENTO FACILITOU A VIDA DE TODOS

Na Primeira fase, os 10 clubes se enfrentarão em turno único, onde os dois primeiros se classificam diretamente para a semifinal. Em caso de igualdade na pontuação, são critérios de desempate: 1) mais vitórias; 2) melhor saldo de gols; 3) mais gols pró; 4) confronto direto (entre dois times); 5) menos vermelhos; 6) menos amarelos; 7) sorteio. As equipes qualificadas entre a 3ª e a 6ª posição disputam a repescagem entre si no sistema mata-mata. O 3º colocado enfrenta o 6º e o 4º enfrenta o 5º em jogos de ida e volta. Os dois vencedores se classificam para a Semifinal. As equipes que terminarem a primeira fase nas quatro últimas posições formam o quadrangular do rebaixamento. Os dois derrotados são rebaixados. Semifinal e Final são disputadas no sistema mata-mata em jogos de ida e volta. Em caso de igualdade na pontuação após as partidas das fases mata-mata, vence a equipe de melhor saldo de gols no confronto e, persistindo a igualdade, há disputa de pênaltis.

O clube da cidade de Estância foi vice-campeão do Campeonato Sergipano em 1983 e 2015. Também em 2015, disputou a Série D do Campeonato Brasileiro e terminou a competição na 10ª posição. No ano seguinte, participou da Primeira Fase da Copa do Brasil, mas acabou eliminado pelo Paraná.

Washington Reis I SERGIPE REPÓRTER

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MonicaHá 1 ano EstanciaParabéns meu amigo por essa matéria
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